sexta-feira, 30 de março de 2012

Viagem Riviera Turca - Ponto 9.2 - Casa da Virgem Maria

Depois da passagem do que resta das ruínas do Templo de Artemis, fomos apanhar um taxi tal como nos aconselharam no turismo e seguimos para a Casa da Virgem Maria. Pelo caminho parámos na subida onde tirámos uma foto com uma estátua com a imagem da Virgem Maria dourada e na descida uma foto para a paisagem onde se vê o Mar Egeu.

Enquanto o taxista espera por nós, damos uma volta pelo recinto onde vamos percebendo por intermédio de placas metálicas a história dos acontecimentos que estão narrados na Bíblia e que falam dos últimos momentos vividos pela Mãe de Jesus. Conto alguns. Jesus diz a João no momento da sua morte "Aqui está a tua mãe" e João, a partir daí tomou conta dela. Crê-se que no período da perseguição aos apóstolos pelos romanos, João tenha de facto levado Maria para a Ásia Menor, região que lhe foi confiada para profanar a religião cristã, hoje conhecida pela Anatólia. Maria viveu aqui então o resto da sua vida.

A Casa da Virgem Maria corresponde à fotografia que mostro em cima. Dada a afluência de pessoas e porque não se pode tirar fotografias no seu interior, existe um quadro que cá fora que representa a réplica da pequena imagem que está em cima de uma mesa com velas colocada num nicho da parede. Por debaixo desse quadro encontram-se escritos em três línguas 5 versos que se referem à Virgem Maria no Alcorão. O resto do recinto é bonito, pois estamos inseridos numa espécie de parque natural, onde existe ainda uma fonte e um muro que não passa despercebido a ninguém, pois contém milhares de papéis com a forma irregular de canudinhos com uma nota escrita enrolada neles. O comércio está também presente em força como não poderia deixar de faltar.

Descemos então a montanha e ficámos a meio do caminho, na entrada do sítio arqueológico de Efesus.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Viagem Riviera Turca - Ponto 9.1 - Templo de Artemis

Izmir é o ponto ideal para se explorar toda a região que está ao seu redor que tem vários locais de interesse, muitos deles a não perder. O primeiro é a cidade de Selçuk que fica a sul e à qual já tínhamos passado perto no dia anterior. Apanhámos o comboio na estação de Basmane por 4,50 Liras e fizemos a viagem tranquilamente. A primeira coisa que se vê à chegada é o enorme castelo que fica num monte não muito longe dali. No turismo, disseram-nos que infelizmente estava fechado e não se pode visitar, portanto, só o podemos admirar de longe. Seguidamente, fomos a pé até a este local de enorme importância histórica, pois não é nada menos que uma das 7 Maravilhas do Mundo Antigo, o Templo de Artemis. Pois bem, o castelo lá se vê ao longe e quanto ao que sobra é só isto, uma coluna e algumas pedras espalhadas pelo recinto. É um marco importante, mas como se percebe na foto, foi totalmente dizimado pelo tempo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Viagem Riviera Turca - Ponto 8 - Izmir

Dia de partida. Izmir, a 3ª cidade da Turquia seria o próximo destino. Regresso à estação de camionetas de Denizli para apanharmos o autocarro que nos levaria até lá. No caminho passamos por outra cidade, Aydin, que mais uma vez tem um aspecto tão moderno como Denizli.

Um taxi levou-nos até ao hotel e depois partimos para um passeio pela cidade. Fomos receosos, pois seria o primeiro contacto com uma grande cidade de mais de 3 milhões de habitantes e francamente não sabíamos o que tínhamos pela frente. O hotel ficava mesmo num dos bairros característicos da cidade, Basmane, que tem algum casario rústico. Metemo-nos em direcção ao bazar Kemeralti, onde comemos um delicioso kebab local. Muita gente sempre em movimento, muitas lojas que vendem de tudo, uma cidade que está viva e vive todos os seus recantos. A Praça Konak não ficava muito longe dali e, já com a barriga mais confortável, seguimos caminho passando pelo porto desenhado por Gustav Eiffel. No centro da praça está o símbolo da cidade, o Relógio todo ele construído em estilo árabe a condizer com a pequena mesquita Yali que apresentava nos contornes das janelas azulejos também eles de estilo árabe.

Depois de vaguearmos pela praça e pelos jardins vendo algumas lojas, voltámos para trás, tentando passar pelas ruínas da antiga cidade romana de Smyrna, onde se encontram as fundações da antiga Ágora e Basílica. Por 3 Liras, entrámos no recinto, mas rapidamente nos apercebemos que são ruínas que não passam por enquanto disto, ou seja, milhares de pedras espalhadas de um modo organizado por todo o lado e as tais fundações que estão ainda a ser alvo de trabalhos. No cimo da colina, vemos uma enorme bandeira da Turquia tal como em Fethiye que estaria dentro do castelo que não chegámos a visitar.

O segundo momento em que vagueámos por Izmir foi quando regressámos de Selçuk, onde aproveitámos para passear ao longo da enorme promenade Kordon, muito agradável, cheia de cafés, bares e restaurantes, jardins bem tratados onde milhares de pessoas o usufruem para vários diferentes tipos de actividades. Enfim, quem diria que estávamos na Turquia? Sentimos qualidade de vida e facilmente se aprende a gostar deste país que acaba por não ser muito diferente do nosso, se bem que já tinha lido que a parte ocidental da Turquia fosse a mais moderna, mesmo ao nível da mentalidade. Mais uma vez, e dado que as cores do fim do dia que são bonitas nesta região do globo, ficámos até ao por-do-sol.

Viagem Riviera Turca - Ponto 7 - Afrodisias

Quando chegámos a Pamukkale, a primeira coisa que tínhamos em mente fazer era saber como ir até Afrodisias. As únicas indicações que tinha lido era que ir de transporte poderia ser muito moroso e a melhor opção seria alugar um carro. No entanto, mal saímos do dolmus, apareceu-nos um senhor que começou a falar connosco e rapidamente nos resolveu o assunto, pois era proprietário de uma pequena agência de viagens local. Comprámos o custo de deslocação e lá fomos numa carrinha com outros turistas em direcção a Afrodisias que durou cerca de 1h de caminho. Sem dúvida, foi a melhor opção.

Chegados a Afrodisias, um tractor com um atrelado, transporta os turistas desde a estrada até ao sítio arqueológico. Afrodisias está muito bem preparada para receber os turistas, pois o seu recinto contém cafés, restaurantes e lojas de souvenirs, recinto esse muito limpo e arrumado, tal como o de Hierápolis. Portanto, mais uma vez para primeiro impacto, foi positivo. Afrodisias era uma antiga cidade romana cujo nome advém da Deusa do Amor Afrodite. Depois de comprarmos os bilhetes por 8 Liras, metemo-nos à descoberta onde logo no largo podemos ver vários túmulos altamente ornamentados. Passando o Sebasteion, uma estrutura colunada, continuamos por um muro empedrado que nos chama a atenção, pois apresenta várias faces esculpidas que estão ligadas entre si por uma espécie de ramificações. Passamos por vários pedaços de colunas espalhados pelo chão, vendo ao longe a estrutura colunada da antiga Ágora, até chegarmos ao Teatro e aos seus Banhos. Fomos mais para sul e aí, ainda se encontram muitos mais pedaços de colunas e outras pedras que pertenceriam às antigas estruturas da cidade.

Continuando pelo carreiro, vemos as ruínas da Basilica até chegarmos à principal zona colunada mais bem preservada da antiga Ágora. Em frente, estão os Banhos de Adriano que ainda contém alguns restos do chão em azulejo. Passando pelas ruínas da segunda Ágora, chegamos ao Bouleterion, ou seja, a casa do Concelho, onde provavelmente seria o local para as discussões políticas da época. Serpenteamos o Palácio Episcopal e a Antiga Escola de Escultura, até chegarmos ao ponto principal, o Templo de Afrodite. É uma área ainda grande que tem várias colunas gregas bem preservadas e bastante altas. O tempo foi generoso com a estrutura.

Sempre com o mapa do recinto em mão para nos guiarmos e seguindo o carreiro, havia apenas duas coisas a ver, o antigo Estádio e a Porta Monumental, símbolo de Afrodisias. O Estádio em mau estado, era ainda de grandes dimensões e deixa-nos bem presente o aspecto que teria na altura. A Porta é, de facto, majestosa e uma estrutura única que vale a pena visualizar ao pormenor. Não tem nada a ver com o que normalmente se pode visualizar quando visitamos um sítio arqueológico semelhante. Ali perto, encontra-se sepultado o arqueólogo turco, o Prof. Kenan Érim, provavelmente o responsável pela exploração e descoberta de Afrodisias tal como a podemos contemplar hoje.

A visita terminou com a passagem pelo Museu de Afrodisias que tem sem dúvida um grande espólio desde mais túmulos altamente bem ornamentados, esculturas várias, estátuas de deuses romanos e uma sala rectangular que causa sensação, pois tem em toda à sua volta várias pedras esculpidas que deveriam pertencer a algum edifício da cidade. Antes de regressarmos a Pamukkale, almoçámos no restaurante que se localiza junto à estrada e comemos muito bem. Foi, talvez, a melhor refeição que comemos na Turquia. Afrodisias vale a pena visitar, pois o espólio é realmente muito grande.

Viagem Riviera Turca - Ponto 6.2 - Hierápolis

Depois das travertinas continuámos para cima indo em direcção das ruínas de Hierápolis. É de tal forma mágico o local que esta mensagem teria que ser repartida em duas, pois uma coisa são as piscinas outra as ruínas. Ao longo da montanha passamos por um jardim muito agradável, com vários passadiços de pedra ou de madeira e sempre com as travertinas como paisagem, embora não tivessem água.

A antiga cidade termal, um autêntico centro de saúde daqueles tempos, não era pequena. Tal é, que o majestoso teatro lá mais acima nos surpreendeu dadas as suas dimensões nunca antes vistas, quer pelo que conhecemos da Grécia e Itália. Metemo-nos pela rua principal da cidade que se vê na foto em cima, a rua principal de Hierápolis, uma rua colunada. Passamos pela porta norte Bizantina e caminhamos pelo empedrado típico romano. Passamos pelas latrinas que são sempre um vestígio curioso de ser ver até chegarmos à porta Dominiana. À direita encontram-se a antiga Ágora, totalmente em ruínas, e a antiga igreja bizantina. Mais para o fundo, encontra-se a Necrópole que tem dos mais variados túmulos, uns com uma forma arredondada. Não a explorámos muito mais. Voltámos para trás, em direcção ao Teatro e de facto, é uma estrutura fantástica. Que lindo teatro! Excelente acústica.

Por fim, descemos passando pelo Museu de Hierápolis que já estava fechado e passeámos por dentro da Piscina Antiga. O preço para se poder usufruir era de 15 Liras. O dia acabou em Pamukkale nas piscinas travertinas, a aproveitar os últimos raios do bonito sol laranja. Gostámos muito de vir até aqui.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Viagem Riviera Turca - Ponto 6.1 - Pamukkale

Saímos de Fethiye cedo de manhã em direcção a Denizli, a cidade que fica perto de Pamukkale, o nosso próximo destino. Grande aventura! O dolmus tinha um problema qualquer na injecção do gasóleo no motor, perdia a força e afogava. Foram umas quantas vezes que parámos no meio do nada e, numa terra como esta, em que andamos de monte em monte e estes não são pequenos, melhor ainda! Por sorte, nunca nos aconteceu numa subida. À partida, os condutores pensavam que fossem as velas, mas depois de tentativas lá deram conta do verdadeiro problema e seguimos viagem normalmente.

Chegados a Denizli, rapidamente apanhámos outro dolmus para Pamukkale e lá fomos nós no meio da população local. Tudo normal, acreditem! Denizli ao contrário daquilo que normalmente fazemos ideia do que é uma típica cidade mulçumana, não tem nada a ver. É uma cidade normal, moderna, aparentemente limpa e organizada! A Turquia continuava-nos a surpreender.

Depois de nos arrumarmos, fomos logo para o recinto de Pamukkale. A paisagem é deslumbrante! Um vasto manto branco como que nasceu no meio da montanha de cor "normal", dando-lhe um aspecto único e pouco vulgar. Tratam-se das antigas termas da cidade grego-romana de Hierapólis. A rocha branca é de origem calcárica e daí ter aquela cor. Na entrada, temos que nos descalçar e andar descalços de modo a preservar esta raridade que é considerada património mundial da UNESCO desde 1988. A entrada custa 20 Liras. Há água por todo o lado que escorre montanha abaixo e forma pequenos carreiros ou as famosas travertinas, ou seja, pequenas piscinas naturais, que com grande pena nossa não podemos usufruir. Ao contrário do que possam pensar, a rocha é áspera e, embora tenhamos sempre a sensação que vamos escorregar, tal é impossível de acontecer, a menos que coloquemos mal o pé no chão.

A paisagem ao redor é bonita e depois de seguirmos para as ruínas propriamente ditas de Hierapólis, ver aqui de cima o por-do-sol é soberbo. Os laranjas que aparecem no fim do dia com a paisagem circundante é mesmo de aproveitar. Quem quiser, pode pagar um extra e tomar banho nas piscinas termais dentro de um edifício próprio. Foi o momento mais alto da viagem. Foi espectacular vir até aqui!

sexta-feira, 23 de março de 2012

Viagem Riviera Turca - Ponto 5 - Xanthos

O sítio arqueológico de Xanthos contém as ruínas da antiga cidade fundada em 1200 a.C. e era a capital da antiga federação Lícia. A cidade foi importante durante o período do império romano, mas começou a decair especialmente depois dos ataques Persas. Tal como Letoon, é considerada património mundial de UNESCO desde 1988.

A entrada são 3 Liras Turcas apenas. O sítio está dividido em 2 pela estrada que o atravessa. A foto em cima mostra-nos a parte da esquerda, onde figuram o teatro e 2 colunas de cerca de 9 metros de altura. Representam em inglês o The Harpy Monument, onde uma delas contém um sarcófago e a outra um friso em cada um dos lados. Esta parte do recinto apresenta muitos vestígios de colunas e antigas casas de pedra onde se presume serem as residências da população. Andando para sul, para o meio das ruínas e ervas, podemos contemplar a vista para Kinik e Kumluova. Vêem-se imensas estufas em todo o horizonte até às montanhas que fazem sempre parte da paisagem natural da Turquia.

Do outro lado da estrada, somos logo levados pela antiga e bem conservada estrada romana. Ao fundo, podemos ler 2 placas de direcções: para a esquerda Nekropolis e para a direita Kilise Church. Descemos para a direita e não muito longe dali vemos atrás de uma rede de ferro as ruínas da antiga igreja. Não podendo ver mais nada ao pormenor, voltámos para o cruzamento e para cima, em direcção à Necrópole onde viemos a dar com a restante parte da montanha cheia de pequenos e espalhados sarcófagos, alguns com altos relevos. Regressando à estrada romana, damos conta de uma placa que nos mostra uma figura da fachada do Templo das Nereidas que os ingleses levaram para o British Museum no século XIX num barco em 41-42. A parte mais rica e importante de Xanthos está afinal em Inglaterra! Já na descida podemos ainda ver o Arco Triunfal construído em honra do antigo Imperador Romano Vespasiano que contribuiu para a glória da cidade.

Os sítios arqueológicos de Xanthos e Letoon são apenas isto! Almoçámos por ali até apanharmos novamente um dolmus de volta a Fethiye. Um almoço barato e típico turco, composto por um prato de galinha e  outro de borrego, a acompanhar com outros 2 pratos de salada, pão e arroz. No fim, provei o leite creme mais a saber a leite, mesmo daquele que parece que acabou de sair da ovelha. Experiência a não repetir! :) Enquanto esperávamos pela partida, um senhor extremamente simpático no seu inglês possível, meteu conversa connosco e convidou-nos a regressar a Kinik, surpreso de sermos portugueses e de ali estarmos. Como é óbvio, os nomes do futebol vieram à baila.

Viagem Riviera Turca - Ponto 4 - Letoon

No último dia por estas paragens e depois de termos dissipado as nossas dúvidas, apanhámos o dolmus correcto em direcção a Kumluova que fica a 1h de caminho desde Fethiye. O condutor lá conseguiu perceber onde queríamos ir, pois ao que parece não é das primeiras opções nem tão pouco uma alternativa usada pelos turistas. A viagem passa por várias terriolas e dá uma ajuda à população local a deslocar-se para os locais do dia-a-dia como os mercados para fazer compras por algumas Liras.

Chegados a Kumluova, o condutor indicou-nos que bastava seguir por uma estrada a pé e daríamos com o sítio arqueológico de Letoon. Depois de caminharmos ainda um pouco e desconfiados de onde nos tínhamos metido, lá demos com a entrada. O sítio arqueológico de Letoon é pequeno e, aparentemente, tratam-se de ruínas tão comuns quanto aquelas que podemos visitar na Grécia. A raridade deverá estar no povo que a construiu, os Lícios.

Deixo um excerto de história: o sítio arqueológico datado do século 7 AC, crê-se que tenha sido ocupado até ao século 7 DC. É dedicado à deusa grega Leto, a deusa do anoitecer que teve 2 filhos gémeos de Zeus na ilha de Delos na Grécia, Apolo e Ártemis. A sua mulher invejosa Hera, ao saber de tal facto, quis matar Leto que então fugiu para a Anatólia, tornando o local um sítio para culto religioso.

O sítio tem um teatro a norte que serviria para o culto religioso, túmulos antigos do tempo Lício situados ao lado do teatro onde passava a antiga estrada que vinha de Xanthos, no centro 3 templos já construídos no tempo helénico, dedicados a Apolo com um mosaico, Ártemis e a Leto. Para sul encontra-se uma Nymphaeum, fonte dedicada às Ninfas construída também durante o período helénico e no tempo romano foi adicionada uma piscina semi-circular. Por fim, encontram-se vestígios de uma igreja bizantina. O sítio arqueológico de Letoon é considerado património mundial da UNESCO desde 1988 e tem um custo de 5 Lira para o visitar.

Depois de darmos a volta ao pequeno recinto e de passarmos por todos estes pontos descritos anteriormente, dirigimo-nos à entrada e perguntámos como ir para o outro sítio arqueológico, o de Xanthos. O próprio responsável pelo recinto tinha um carro estacionamento à entrada, que pelos vistos, serve também de taxi. Sem outra alternativa, lá nos metemos no taxi e fomos até Xanthos, deixando Kumluova para trás, depois de atravessarmos o rio e a vila de Kinik.